quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ESSA É A POLÍCIA BRASILEIRA

Corregedores que deixaram ex-escrivã nua são afastados

Anúncio foi feito na noite desta segunda por secretário de segurança

21/02/2011 - 21:18

Globo.com/G1

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O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, determinou na noite desta segunda-feira (21) o afastamento de dois delegados lotados na Corregedoria da Polícia Civil. Eles aparecem em um vídeo em que uma ex-escrivã é obrigada a ficar nua para ser revistada.

A cena foi gravada em 15 de junho de 2009, em uma sala do 25º DP, em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, mas caiu na internet e ganhou notoriedade. Um terceiro delegado que também esteve envolvido na ação da Corregedoria já não integra mais os quadros do departamento, de acordo com a nota.

O vídeo exibe os corregedores tirando à força a calça e a calcinha de uma escrivã suspeita de corrupção. Ela respondeu a processo administrativo e foi exonerada da Polícia Civil. O inquérito criminal ainda corre na Justiça.

O secretário determinou a instauração de processo administratico disciplinar para apurar "a responsabilidade funcional" de cada um dos corregedores, bem como do delegado titular da Divisão de Operações Policiais da Corregedoria à época, que, segundo a nota, "concorreu para o desfecho daquela intervenção policial".

O secretário também determinou a expedição de ofício ao procurador de Justiça "manifestando perplexidade com o requerimento de arquivamento do inquérito policial instaurado por abuso de autoridade pelo representante do Ministério Público".

Entrevista

Em entrevista ao G1 nesta segunda, a ex-escrivã de 29 anos disse que se sente humilhada em dobro agora que o vídeo com a cena dentro da delegacia foi postado na internet. “É uma dupla humilhação, no dia e agora”, lamentou. Ela não quis ter o nome divulgado.

“Eles (da Corregedoria) entraram gritando, apontando armas. Naquele momento, eu não conseguia entender o que eles gritavam”, contou a ex-escrivã. Toda a sequência durou de 40 a 50 minutos. Ela disse não ter percebido quando a ação dos corregedores começou a ser filmada.

Segundo a ex-escrivã, em momento algum ela se recusou a ser revistada. Ela insistia apenas para que a revista fosse feita por uma mulher, como determina a lei. “Chamaram uma policial feminina e uma GCM (guarda-civil metropolitana) feminina, mas não deixaram que fizessem a revista”, disse.

“Na hora, senti desespero, acuada por aqueles homens, em uma situação humilhante. Na hora que tiraram a minha roupa, eu pedi pelo amor de Deus para não filmar a minha intimidade. Foi uma violência; como mulher, fui violentada”, enfatizou.


(Fonte: http://eptv.globo.com/noticias/NOT,0,0,336831,Corregedores+que+deixaram+escriva+nua+sao+afastados.aspx)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Assédio Moral: Suicídio em Fábrica da Foxconn

"Confirmado décimo suicídio deste ano na Foxconn; ativistas protestam queimando cartazes de iPhones

Guo Tai-ming, CEO da Foxconn, declarou na segunda-feira (véspera do décimo suicídio), que sua empresa “não é nenhuma fábrica exploradora”. O empresário disse também que é complicado gerenciar os mais de 900 mil empregados ao redor do mundo, mas que a situação logo será estabilizada.
Na terça-feira, Li Hai, de 19 anos, atirou-se de um dos prédios da empresa somente 42 dias depois de começar a trabalhar para ela. Este é o nono suicídio nas instalações de Shenzhen (nas quais houve mais duas tentativas), além de uma ocorrência do tipo em Hebei. No total, dez funcionários desta parceira da Apple já deram fim às próprias vidas apenas em 2010.

Em resposta ao evento, ativistas protestaram em frente à sede da empresa em Hong Kong, portando cartazes com os dizeres “A Foxconn não tem consciência” e “Suicídio não é acidente”. Além disso, eles queimaram cartazes de papelão representando iPhones. As queixas dos trabalhadores englobam os longos turnos de trabalho (algumas vezes sem pausas), a velocidade da linha de produção e a disciplina militar que é imposta nas fábricas.
Segundo o Engadget, uma investigação sigilosa feita por três homens recrutados pela Foxconn apontou uma série de detalhes sobre as condições de trabalho nocivas na empresa:

Todos os novos funcionários devem assinar um termo de compromisso e voluntariamente(?) abdicar do limite legal de 36 horas extras mensais, elevando a carga para algo entre 60 e 100 horas;
Gerentes assediam moralmente os funcionários e os castigam com deduções aleatórias de seus bônus de produtividade;
Cerca de 50 mil funcionários deixam a empresa todo mês — ou seja, cerca de 12,5% dos empregados da Foxconn na China.
O Greenpeace conseguiu fazer muitas empresas respeitarem mais o meio ambiente. Seria hora de criar um “Sweatpeace” para ficar de olho nas condições de trabalho por aí?"

(FONTE: http://acordocoletivo.wordpress.com/2010/06/02/assedio-moral-suicidio-em-fabrica-da-foxconn/)